A ponte do Lagwagon

No próximo domingo, dia 29 de novembro, a capital paulista recebe a visita de um ícone do hardcore melódico: Mr. Joey Cape. O vocalista que fez fama nos anos 90 à frente do Lagwagon – e ainda com as bandas Bad Astronaut e Me First And The Gimme Gimmes – se apresentará no Inferno (com abertura reggae/dub da Família Gangsters) a partir das 18 horas (no dia 28 é a capital paranaense que o recebe).

Além da banda The Playing Favorites, Joey Cape tem feito shows solo em formato acústico, inclusive seu primeiro álbum, Bridge, foi lançado no ano passado via Suburban Home Records nos EUA e Bad Taste Records na Europa. Antes de desembarcar no Brasil, Joey Cape conversou com a gente e contou um pouco sobre essa transição na carreira dele, falou um pouco sobre Bridge, sua filha Violet e o porquê dos Ramones estarem mortos…. Ou quase isso!

Entrevista: Joey Cape
Por Ricardo Tibiu
Tradução: Marina Melchers

No encarte de Bridge você diz que um disco acústico é um rito de passagem pra um compositor. O nome Bridge tem a ver com isso, de “te levar a outro lugar”? Após o disco acústico, qual seria o próximo rito?
Sim, exatamente! Eu não sei direito onde esse caminho leva, mas é legal tentar coisas novas!

Inclusive, o quê te levou a iniciar esse projeto solo e por que escolheu o formato acústico?
Bom, o formato acústico é muito confortável para mim, eu sempre escrevi música no violão. Eu não sei por que estou fazendo música sozinho, acho que é porque é mais fácil ser criativo quando você não precisa depender de tantas pessoas. E também é uma maneira fácil de manter a pureza das canções e a visão que você tem para qualquer uma delas.

Você acha que a crise na indústria fonográfica contribuiu para a qualidade baixa da música em geral onde tudo é muito mais visual que musical? Por acaso, The Ramones Are Dead aborda mais ou menos isso?
The Ramones Are Dead é sobre a falta de romance na música moderna. A procura era uma parte importante do processo antes da internet se tornar uma ferramenta para encontrar qualquer coisa que você queira. Eu não tenho certeza se a qualidade da música diminuiu, ela realmente parece mais saturada do que nunca. Geralmente quantidade significa menos qualidade!

Seria muito bobo de minha parte perguntar por que os Ramones foram os escolhidos pra ilustrar isso?
Eles eram uma obsessão na minha infância. Conseguir todos os LPs e a procura por um disco em vinil antes da disseminação dos telefones celulares e da internet eram um processo muito recompensador e legal às vezes. Eu vejo os Ramones, e muitas bandas punk antigas, como uma analogia para essa busca na minha vida.

Hoje em dia, qualquer um pode fazer download de um disco e deixá-lo perdido no computador ou deletá-lo, o que não acontece com o vinil. Tanto Bridge quanto I Remember When I Was Pretty, do The Playing Favorites, foram lançados em vinil – assim como o catálogo do Lagwagon. Você acha que essa é uma forma de levar sua música a quem realmente está interessado por ela?
Espero que sim! Sei que eu ainda prefiro vinil como formato porque amo a arte [do disco] e a cerimônia de tocar um disco.

Você grava suas músicas praticamente sozinho e produz, marca seus shows, através de seu blog no MySpace se comunica com produtores e pessoas interessadas em ajudar nas turnês e até “convoca” gente disposta a cuidar da banquinha nos shows. A vida na estrada é mais fácil sozinho que em banda?
Sim e não! É bom ter controle sobre cada decisão em relação à sua própria arte e eu adoro o contato direto com as pessoas que gostam da minha música, mas também é algo que consome muito tempo.

O encarte do CD traz uma foto com sua filha Violet, no fundo do estojo há um desenho feito por ela e em Canoe podemos ouvir a voz doce dela. Você costuma tocar suas músicas ao violão pra ela, mostrar bandas, enfim, de alguma forma envolvê-la com música?
Sim, mas ela está numa fase mais adequada à idade dela agora, é claro. Ela gosta de dance music de Bollywood, música eletrônica e dance music latina. Ela adora melodia, mas o violão é um pouco entediante para ela agora. Ela quer um tipo de ação que o papai não tem como fornecer [risos].

Boa parte das canções do EP I Think My Older Brother Used To Listen To Lagwagon, do Lagwagon, estão seu disco solo. Elas foram feitas para a banda ou já no formato acústico de Bridge?
Eu as gravei primeiro para o disco acústico. O EP foi lançado antes, mas foi gravado depois de meu disco.

Aliás, por falar no EP do Lagwagon, é inevitável perguntar: o quê seu irmão mais velho costumava ouvir?
Um pouco da mesma música que eu ouvia. Rock dos anos 70 e jazz fusion em geral. Meu irmão mais velho é um ótimo guitarrista. Ainda assim ele nunca gostou de punk rock. Mas ele ama Lagwagon. Provavelmente porque é melódico, mas também guiado por riffs de guitarra.

Em 2000, você esteve com o Lagwagon aqui no Brasil para uma turnê. O quê você lembra dessa turnê?
Não lembro de muita coisa… Isso foi há muito tempo!

No mesmo dia do seu show em São Paulo, os suecos do Entombed tocarão no Hangar 110, o mesmo lugar onde o Lagwagon tocou em 2000. Que tal?
Acho que isso não vai afetar muito meu show… Espero que não. Eu gosto do Wolverine Blues, é um bom disco!

Com a volta dos anos 80, algumas bandas ruins voltaram à ativa e — pior — as pessoas “se esqueceram” do quão ruim eram suas músicas… Você não tem medo que com a volta dos anos 90 o mesmo acontece com todas aquelas bandas medíocres de hardcore melódico que copiavam as mais bem sucedidas?
Sim, e isso é assustador. Eu não dou atenção a isso. Mesmo se é uma banda de que eu gostava, geralmente é uma grande decepção para mim!

Considerando que você geralmente toca algumas músicas do Lagwagon e do Bad Astronaut, o quê os fãs brasileiros podem esperar para este show? Alguma música que possa entrar em Doesn’t Play Well With Others?
Talvez eu toque uma música nova. Eu tento ficar nas coisas do Lagwagon em geral. Parece ser o que as pessoas querem ouvir, especialmente porque faz tanto tempo que estivemos no Brasil. Eu toco algumas do Bad Astronaut também. Às vezes as pessoas as conhecem!


Links relacionados:
www.myspace.com/highlightsounds
www.myspace.com/joeycape
www.myspace.com/theplayingfavorites
www.myspace.com/badastronaut
www.infernoclub.com.br
www.myspace.com/familiagangsters

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12 respostas a A ponte do Lagwagon

  1. Não gosto de som acústico e os últimos discos do Lagwagon foram beeeem mais ou menos, mas ainda devo respeito a esse cara por ter tornado a minha adolescencia mais suportável…

  2. eu tinha uma má impressão dele, não sei pq, mas acho que estarei lá domingo
    =)

  3. cara, que foda!
    se eu tivesse grana e um trasporte eu iria certeza!

    Lagwagon marcou uma época pra mim, foda!
    eles estiveram aqui em campinas, se não me engano nessa tour de 2000.

    se vc for, bom show mano!

  4. Foda, Tiba. Sou fã dele e dos trabalhos que ele executa. Bela entrevista.

  5. Mano, eu acho que Lagwagon é uma das melhores badas de HC melódico que eu já ouvi. Mas não irei comparecer a esse show, acho o trabalho solo dele, um pouco chato. Se fosse o Lagwagon se apresentando eu ia fácil. ;)

    Outra coisa mano, o Show do METALLICA vai ser no mesmo dia do NFAA..Aí fode a minha vida. hehe

    abrá.

  6. Porra, fico foda a entrevista parabens, ja tinham me falado do show do cara, nunca ouvi esse acusticuzinho dele, vou dar uma conferida quando possivel

  7. Eu tenho uma relação de amor e odio com o lagwagon mesmo ja tendo escutado praticamente todos os discos só consigo gostar dos discos: Hoss, trashed e duh! Mas con certeza iria neste show uma pena não rolar por aqui…

  8. O inferno é o inferno mesmo…no for my family, nunca senti tanto calor na minha vida, nem no hangar é tão quente assim…

  9. Porra melhor que isso, só se viessem Tom Gabel, Chuck Ragan e Frank Turner tb.

  10. Dae Tibiu! Sou totalmente prego no wordpress e me perco toda hora, lancei um texto sobre os potiguares do Todos Contra Um no blog de uma amiga:

    http://yourocker.wordpress.com/2009/11/26/ouca-rapido-ou-morra/

    Quando tiver tempo dá uma lida.

    abrax

    xguilhermex

  11. legal a entrevista tibiu!
    dei uma enjoada do lagwagon, mas já escutei muito.. gosto do bad astronaut também.. o trabalho solo aí do joey cape nunca escutei, depois vou dar uma sacada..

  12. hardcore é meu estilo preferido e entre eles Lagwagon é minha banda favorita .. com certeza será um prazer contemplar pq até em outros estilos o cara teve a capacidade de mandar melhor do que os que fazem acústico na minha opinião .. como não vi lagwagon , mas vi propagandhi, nofx,pennywise & millencolin acho que vai ser o melhor show da minha vida

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