mandando brasa!

Formado no Rio de Janeiro em 2007, o Zander tem membros que passaram ou fazem parte de Dead Fish, Noção de Nada, Deluxe Trio, Heffer (outro dia um jovem me encheu o saco porque não escrevi Reffer, desculpem por ser da época que era com H, ok juventude feia, boba e cabeça de melão?!) e A Sangue Frio.

Seja em gravações — os EPs Construção (2008) e Já Faz Algum Tempo (2009) — o quinteto segue pelo Brasil mostrando sua mistura de punk, post-hardcore e, principalmente, rock, marcada por mesclar melodia e técnica.

Amanhã eles colocarão exclusivamente para download gratuito na TramaVirtual o novo álbum. Sob o nome de Brasa ele tem arte assinada por Leo Vilas e, ao melhor estilo “do it yourself” da banda, foi gravado no Superfuzz e sairá fisicamente via Manifesto Discos, ambos de propriedade deles mesmos.


foto de: Marcos Bacon.

Bom, tive o prazer de ouvir antes o disco e escrever sobre ele — leia abaixo!

Formado no Rio de Janeiro em 2007, o quinteto Zander não tem medo de nadar contra a maré. Sua formação inclui membros que passaram ou fazem parte de Dead Fish, Noção de Nada, Deluxe Trio, Heffer (os mais jovens conhecem como Reffer) e A Sangue Frio, e diferente de outros “supergrupos” – fadados à vida curta – a longevidade perdura.

Outro fator: se a tendência hoje em dia é soar mais pop para tentar alçar voo comercial ou mais hardcore por autoafirmação e/ou forma de justificar o fracasso (novamente) comercial, Gabriel Zander (voz/guitarra), Marcelo Adam (baixo), Gabriel Arbex (guitarra), Philippe Fargnoli (guitarra/voz) e Leonardo Mitchell (bateria) não tomam esses rumos e esquivam-se de rótulos. Mas o que fazem é ROCK, assim, maiúsculo.

Depois de Em Construção (2008) e Já Faz Algum Tempo (2009), dois EPs que tiveram boa resposta do público, chega a vez de acalentar as pessoas com seu primeiro full-length. Apostando de cabeça no “do it yourself”, Brasa, que tem arte assinada por Leo Vilas, foi gravado no Superfuzz e sairá fisicamente via Manifesto Discos, ambos de propriedade deles mesmos.

“Auto Falantes” abre o disco “queimando combustível, colocando no máximo até distorcer” e com uma linha de baixo que mostra porque Adam foi escolhido para assumir o posto. É preciso muita personalidade e destreza para se destacar em meio ao intenso paredão de guitarras – ainda que por outros compromissos Fargnoli acabou não participando – característico do Zander.

A herança hardcore chega através de “Linha Vermelha”, que se não fosse em português poderia facilmente ter saído de algum lado B perdido do Heffer (ok jovens, Reffer!). Com energia ela mescla melodia e técnica, além de valer cada segundo ao deixar uma mensagem: “Se a nossa vida nos trouxe até aqui, as canções podem nos unir”.

Já que é para citar ex-banda, “Até a Próxima Parada” pode trazer aos fãs de Noção de Nada boas lembranças. Apesar de remeter à fase final do grupo, ela revive um pouco a banda, até o tema, que retrata a vida na estrada de forma saudosista e um pouco melancólica.

Nem só de amores ou dissabores (as belas “Meia Noite” e “Sunglasses”, sendo esta a primeira dos caras em inglês) eles vivem e exteriorizam. “Terreiro” traz analogias ligadas à fé; “Humaitá”, por exemplo, não sabe (alguém precisa contar pra ela!), mas é punk. Crua, sem ser tosca, direta sem grosseria, ainda assim dá um tapa na cara, porém sem luva de pelica.

Sem economizar nas guitarras “Simples Assim” relata a batalha cotidiana, mas o estopim mesmo (minha predileta, confesso!) é “Motim”. Nela, o Zander começa com riffs ao melhor estilo Hellacopters, logo encarnando um The Clash “incitando” com urgência um tumulto. Impossível deixar de dizer que ela tem uma breve, mas contagiante passagem reggae.

Daí percebe-se que nada é reto, tudo tem contornos, muita malemolência (ou seria cadência?) carioca… Caso de “Sem Fim”, que, ironia do destino, encerra o disco.

Em atividade há três anos, eles seguem tocando em todos os cantos do país. Do Circo Voador “em casa”, se apresentaram por toda região Sudeste, incluindo a abertura dos ícones Samiam (EUA) no Hangar 110, na capital paulista, além de turnês que passaram pelo Sul e Nordeste.

O quinteto deixa transparecer que segue fazendo o que gosta, esbanjando intensidade, com ardor – queimando em Brasa, que, diga-se, pode refletir diversos sentimentos: inquietude, paixão, entusiasmo…

Se fosse para definir o disco (ou eles mesmos) em uma única canção, esta seria “Todos os Dias”. Guitarras post-hardcore, o fragmento de um pensamento de Nietzsche logo de cara (quiçá inconscientemente) e a essência de tudo o que o Zander representa musicalmente: “vale tudo que não seja nos repetir”.

Então tá valendo!

Amanhã, dia 15 de setembro, Brasa estará disponível exclusivamente no perfil do Zander para download gratuito!

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comentários

21 thoughts on “mandando brasa!

  1. Achei legal, gostei muito da parte instrumental que me lembrou muito a época do um homem só do dead fish.
    Até o vocalista não ta legal.

  2. Muito bacana a resenha Tibiu.. Parabéns!
    Assim como a do Chuva Negra, me deu vontade pra caramba de ouvir o disco!
    Baixarei amanhã e futuramente comprarei no formato físico!
    Abráá!

    • pô, valeu Arthur, legal que curtiu e sentiu ainda mais vontade de ouvir!
      😉

      boa, compra sim, se todo mundo só baixar os CDs independentes daqui a pouco ninguém lança mais nada, né?!

  3. Acho o vocal horrivel e a parte instrumental legal, pegue sua senha é a unica que consigo gostar deles.Mas ouvirei o disco, vai que ta bom desta vez.

  4. “outro dia um jovem me encheu o saco porque não escrevi Reffer, desculpem por ser da época que era com H, ok juventude feia, boba e cabeça de melão?!”

    espero que não seja comigo..hehehehe

    • pô, claro que não MV, já falei que você é “nosso” Ney, satãzinho camarada, de carne e osso!
      😉

      foi um jovem no Twitter, sabe aqueles espertão que jura que sabe tudo?!
      acontece!
      😀

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