bravo pra caralho

Chegou um kit aqui em casa, veio lá de Campo Grande/MS.

Nele, uma camiseta bonitona e o EP Até Que Um Dia!, da banda Bravo.

Se você curte hardcore melódico em português, tá aí mais uma (boa) opção!

Conversei com o guitarrista Guilherme pra saber um pouco mais sobre o conjunto e o disquinho dos caras, que é todo artesanal do it yourself e tem a participação de Enrique, do DxDxOx, e Rodrigo Lima, que canta naquela banda de Vitória.

Confira abaixo a entrevista!

Vida de banda independente no Brasil não é lá uma tarefa muito fácil, talvez nas grandes capitais seja um pouco mais simples. Vem do underground campo-grandense uma banda que resolveu fazer tudo por conta própria: gravou, produziu, fez a arte, dobrou, colou, lançou e distribuiu – claro que contando com a ajuda dos amigos. A Bravo acaba de soltar o EP Até Que Um Dia, que contém cinco faixas influenciadas, principalmente, pelo hardcore melódico. Conversamos com o Guilherme (guitarra/voz) para conhecer um pouco do grupo e saber sobre este material que acaba de ganhar forma (física) e ainda está para download gratuito aqui na TramaVirtual. Confira!

Quando e como surgiu a Bravo?
Fechamos essa formação em 2009, salvo engano. Em 2007, eu, o Manoel (baixo) e o Xiká (guitarra) tínhamos uma banda, com outro nome, e uns malucos do Rio clamavam já usar o nome há algum tempo. Aí a gente deixou o nome pra eles e firmamos essa formação. Campo Grande é uma cidade meio monótona, né bicho? Acho que a gente estava entediado e tinha bastante tempo livre.

Como foi a produção do EP Até Que Um Dia?
O EP foi o maior parto. Gravamos na casa de um brother, o Lean Kominato, que é também guitarrista da Fall Over, puta banda daqui. Gravamos uma música, enrolamos seis meses, gravamos outra, aí gravamos outra e ficou muito ruim, ficamos mais um tempo sem gravar… Agora acho que a banda pegou no tranco, mas a gente é muito lento. No final das contas acho que ficou bem legal. Assim, tem bastante defeito, não somos nem de longe a banda mais afinada ou compassada da cidade. O Lean fez uns milagres lá e ficou “escutável”. Quem desenhou a capa e a contra-capa, e é também responsável pelas nossas camisetas, flyers dos rolês que a gente organiza e mais um monte de coisa é o Matheus Marreco. A gente soltou o material físico já faz um mês, não sei de muitas bandas que fazem isso. Deu um trabalho brutal, é tudo cortado, colado, carimbado, gravado e numerado à mão. Aproveitando pra fazer uma propaganda, custa só três dinheiros. Vai que cola, né Tibiu?

Vender o peixe nunca é demais! (risos) Queria que vocês falassem dos convidados, quem são, como escolheram…
Em “Ratos no Altar”, que é uma música mais pesadinha, a gente chamou o Enrique pra dar uns berros. Ele, além de ser vocalista do DxDxOx, banda de hardcore grind daqui com mais de dez anos, é o guru do rock local e é muito amigo nosso. Pra cantar em “O Amor a Isto nos Enterrará em Covas Rasas” a gente chamou o Rodrigo Lima, que canta naquela banda de Vitória. Nos conhecemos em um show deles aqui e começamos a trocar ideia. Achamos que a música combinava com ele, e rolou o convite. Pessoalmente, é a minha preferida do EP.

[fotos: Luma X]
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“Minha Busca” tem letra extraída da obra de Miguel de Cervantes, queria saber de onde vem essa inspiração.
Então, eu li e achei que tinha muito a ver com a banda. O exagero, a coragem, achei bruto. Pensei em parafrasear de alguma forma, mas já estava tão perfeito exatamente o que eu queria dizer que não ousei mexer. Depois de tudo gravado e lançado descobri que a Maria Bethânia tinha feito algo parecido há uns 40 anos atrás.

Quais são as principais influências? Digo, sem quem o EP não poderia ser feito?
Posso falar por mim, em algumas coisas o pessoal vai concordar, em outras não, mas é mais ou menos por aí: Bad Religion, Propagandhi, Strike Anywhere, A Wilhelm Scream e Hot Water Music.

Percebo que existe uma preocupação com as letras, qual é a mensagem que vocês querem passar com elas?
Não que tenha algum poeta ou letrista fodão na banda, mas ultimamente tem rolado uma preocupação a mais com isso. Até porque não faz muito sentido pra gente cantar qualquer coisa só pra ficar bonito. As letras são o nosso olhar sobre o mundo ao nosso redor e situações que a gente passa, nossa visão sobre política, religião, a paixão pelo que se faz, alguma auto-crítica…

[fotos: Luma X]
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Como é ser uma banda independente em Campo Grande? Como andam as coisas por aí?
Acho que o pior é ficar isolado geograficamente, Campo Grande é muito longe de tudo. É difícil pra gente viajar, é difícil de vir show legal pra cá. O público não dá valor em banda que toca música própria, e tem lotado show de cover de um jeito que eu nunca vi antes. É estranho porque tem bastante banda legal de várias vertentes do rock aqui, mas o rolê só lota se vem banda de fora fazer cover.

Bravo é sinônimo de coragem, de raiva, nervosismo, enfim, muita coisa. Afinal, Bravo?
Bravo pra caralho, tipo aquela música do Conjunto de Música Jovem Merda.

Quais são os próximos planos?
Na real já estamos focando em fazer músicas novas pra lançar outro registro, que se ficar enrolando mais só sai em 2020. No mais, é aquilo: tentar mostrar o som pras pessoas que consideram isso relevante, tocar onde tiver gente querendo ver, fazer novos amigos, conhecer lugares novos.

[arte: Matheus Marreco]
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6 thoughts on “bravo pra caralho

  1. Falando em kit, ce viu o que os caras do street vão lançar junto com o dvd? coisa fina de mais, já comprei o meu. *—*

    cara, tudo que envolve aquela bandinhazinha de vitória vale a pena ser conferido, os caras são referência e se o Rodrigo resolveu se envolver com esses caras ai, é pq o bagulho é no minimo bom..

  2. véio, eu lí melódico e tava esperando outro tipo de som. não é ruim não, mas aí, é chicletão hein? daquelas que ficam rolando na cabeça depois.

  3. Rodrigo deve ser o cara que mais cantou em música de outras bandas do País, hehe.
    Também gostei mais da “Ilha das Flores”, vou até assistir novamente aqui..

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