entrevista: lê almeida

Quando alguém fala do Rio de Janeiro, o quê vem à sua cabeça? Samba? Praia? Cristo Redentor?

De um tempo pra cá tenho pensado no barulhinho bom de Lê Almeida!

Desde a primeira vez que ouvi aquelas guitarras e melodias, me pego repetindo esse ritual quase que semanalmente — principalmente o Mono Maçã [2011]. Fora que o cara vive [na prática] o faça você mesmo: além de seu projeto solo, toca em várias bandas [Treli Feli Repi, Babe Florida, Refrigerantes] e mantém a Transfusão Noise Records.

No selo, que sempre disponibiliza tudo para download gratuito, além de gravar, lança e faz a distribuição de, entre outras, Medialunas, Sin Ayuda, Cretina, Badhoneys, Hierofante Púrpura e Top Surprise [que esteve aqui na série de entrevistas do Queers & Queens e cujo EP Klouds saiu hoje – soundcloud.com/top-surprise-klouds-ep].

No momento ele coloca em prática um crowdfunding para o lançamento em vinil colorido de seu Pré Ambulatório, onde é possível ajudá-lo comprando na pré-venda.

Enfim, por tudo isso, fiz questão de convidá-lo para participar da chivetarama 2 [http://bit.ly/chivetarama02] e fiquei muito feliz quando ele aceitou.

Abaixo confira a entrevista com Lê Almeida, o cara que vai de Black Sabbath a Guided By Voices, em fração de microfonias lo-fi – aliás, lo-fi-ça-você-mesmo!

Quando começou seu interesse por música, quando você montou suas primeiras bandas e há quanto tempo você tá nessa?
Meu interesse por som surgiu mesmo na infância mas o apego ao roque foi a partir de uns vinis do meu pai, Kiss, Led Zeppelin e Black Sabbath foram o início, depois na juventude eu passei a tiram um som com uns amigos que me mostraram Pavement, Sonic Youth, Nirvana e um mundo novo se abriu. Minha primeira banda se chamava Siameses e eu tocava bateria, lá por volta de 2000/2001.

[foto: Felipe Oliveira]
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Como você consegue ter tantos projetos/bandas? Quando faz as músicas, como decide pra qual vai?
Eu às vezes nem lembro da quantidade pois tenho umas temporadas onde faço umas faixas pro meu lance solo, outras que faço pra Babe Florida e etc… Nem sei exatamente como decido, mas rola às vezes de eu mudar de ideia e pegar uma faixa que fiz pra uma banda e passar pra outra. Atualmente tenho feito várias novas pra um disco novo da Treli Feli Repi que estou gravando e que vai se chamar Mau Comportamento. Também tenho feito umas pra Babe e esboçado uns riffs pra uma nova temporada do Refrigerantes.

Como você define musicalmente Lê Almeida, Treli Feli Repi, Babe Florida e Refrigerantes?
Defino todas, tirando o Refrigerantes, como roque de guitarra, pois teoricamente são todas baseadas em guitarras altas e bem distorcidas, porém sempre bem trabalhadinhas na melodia. Já o Refrigerantes é um projeto/banda de canções aceleradas, na época do primeiro EP foi ultra espontâneo fazer aquilo.

[foto: Fabiola Neves]
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Quais são as principais influências?
Também tenho umas temporadas de influências principais, mas as eternas são Pavement, Guided By Voices, Eric’s Trip, Black Sabbath… No momento tem sido Cartola e Microphones.

Vai rolar um crowdfunding para lançar o Pré Ambulatório, queria que você falasse um pouco sobre isso.
Pois é, esse crowdfunding é total na raça sem grandes esquemas que você sempre vê por aí, a gente começou a fazer sem saber ao certo se as pessoas iriam realmente se empolgar, mas tem rolando um retorno bem bonito. Conseguimos a parceria da Vinyl Land, Revista Prego, Popfuzz Records, Subcultura Discos, Baratos da Ribeiro, The Blog Thats Celebrates Itself Records e Pug Records pra lançarem o disco junto com a Transfusão. O nosso crowdfunding é simples demais, você compra o LP [um 10″ colorido] na pré-venda, que vai até o dia 30 de março, e seu nome entra na contra capa do disco como um dos enfermeiros do Pré Ambulatório. Pra comprar é só enviar um e-mail com nome e endereço completo para transfusaonoiserecords@gmail.com

Há quanto tempo existe a Transfusão Noise Records e qual o objetivo dela?
Existe desde janeiro de 2004, mas o primeiro disco só saiu em fevereiro de 2005. O meu objetivo inicial era lançar as bandas que eu tocava com os amigos aqui da área, além disso eu sempre acreditei que ninguém teria interesse em lançar as coisas que eu fazia então seria mais fácil ter a minha própria gravadora e fazer as coisas de um modo mais punk dando valor ao som caseiro e sujo. Até agora a gente tem conseguido manter a Transfusão com uma coisa de amigos onde quase todos se conhecem e são amigos realmente, se admiram, isso é muito importante e espero que a gente consiga se manter assim como uma família por bastante tempo.

[foto: Felipe Oliveira]
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K7, vinil, CD ou virtual?
Sou a favor de todos os formatos, acho que todo mundo deveria ter um toca fitas, uma vitrola, um CD player e um PC. O importante mesmo é tu ouvir o disco que você gosta no formato em que melhor você acha que ele se adequa. Eu sempre ouvi esses quatro formatos!

Você faz umas colagens [cracolagem.tumblr.com], que viram capas de disco e flyers de shows. Como você começou a fazer isso e já rolou alguma expo?
Pois é, eu comecei a fazer isso no início da Transfusão, pois a gente tinha que fazer filipetas, capas… E não tinha ninguém específico pra fazer isso, daí eu mesmo fui fazendo, no meio disso descobri uma afeição com as colagens, algo terapêutico pois passei a fazer semanalmente e na maioria são coisas que curto ficar contemplando e achar novas perspectivas. Eu nunca fiz uma expo, ultimamente tenho me interessado em entrar no meio, mas me parece que o mundo das artes é bem mais disputado que o da música independente. Eu acho que seria muito irado fazer uma expo algum dia.

cracolagem

Quais são os próximos planos?
Lançar o EP novo da Top Surprise que eu produzi, lançar o disco de estréia da Suíte Parque agora em março, gravar um disco novo da Babe Florida, produzir a gravação de um EP da Chapa Mamba e outro da Luvbugs, lançar o segundo EP da Tape Rec que já esta 90% pronto e se chama Death Friends, gravar um EP novo com o Refrigerantes e tomar caldo de cana todo final de semana ensolarado.

Mais informações: transfusaonoiserecords.blogspot.com.br/CROWDFUNDING | transfusaonoiserecords.blogspot.com.br | lealmeida.bandcamp.com | soundcloud.com/transfusaonoiserecords | facebook.com/transfusaonoiserecords | trelifelirepi.bandcamp.com | refrigerantes.bandcamp.com | babeflorida.bandcamp.com | cracolagem.tumblr.com

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16 thoughts on “entrevista: lê almeida

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    • legal que curtiu, Arthur!
      eu quando conheci o som dele, pirei muito, quando fui saber da história de ele mesmo gravar, produzir, distribuir e tal, achei demais!
      🙂

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