Entrevista: Josh [Bode Preto]

Fabio Mozine me perguntou se eu gostaria de publicar uma entrevista dele com a banda Bode Preto, de Teresina/PI.

Claro que minha resposta foi positiva, além claro da longa parceria com o big boss da Läjä Records, o grupo piauiense é um dos mais interessantes da atual música pesada brasileira – fora a relação com o Skate Aranha, pra quem já fiz juras de amor [até cantei junto, relembre!].

Fiquem abaixo com Mozine & Josh!

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Estou prestes a tentar entrevistar Josh, guitarrista e vocalista da banda Bode Preto, que acaba de ser lançada pela Läjä Records.

Em 1995, como a gente conhecida novas bandas? Chegava um flyer numa carta social de um amigo.

Uma das banda desse cara, o Skate Aranha, eu conheci no Twitter, coisa mais moderna não há! No meio de um ataque diário de links, eis que surge um confiável e lá estou escutando a banda.

Entro em contato por Facebook, modernaço, ou e-mail, sem muito sucesso, até que depois de muita doideira, conversa e trabalho, um 10” é lançado.

Mas não para por aí:  Josh, guitarrista e um dos articuladores do lançamento, mostra outras de suas facetas e fala sobre muitos assuntos e sobre sua nova banda.

– Apresente-se pra mim em três linhas no máximo.
Que tipo de entrevista começa assim? Tô me apresentando ao Exército? 🙂
Meu nome completo é Josué Soares da Silva Júnior, uma amiga chamada Juliet Slayer começou a me chamar de Joshua na época do Monasterium, achava massa que ela tinha esolhido esse nome pra ela e queria um assim também. Eu gostei pois pra mim Josué sempre foi meu pai e Júnior é como só minha família me chama. Tenho 35 anos e nasci dia 17 de fevereiro em Teresina, capital do Piauí.

Monasterium 1998 foto Paulo Junqueira
[Monasterium, 1998 – foto: Paulo Junqueira]

– Há quanto tempo você está envolvido com música e/ou envolvido com música extrema?
A primeira banda que toquei se chamava Monasterium, fazíamos um tipo de Doom Death Metal. Eu tinha 16 anos quando a gente tava iniciando, comecei a pegar na guitarra aos 14 anos. Com o Monasterium lançamos duas demo tapes independentes, um CD pela Demise Recs. e participações em algumas coletâneas nacionais. Tocamos muito por aqui, também em São Luís, Fortaleza, Recife, Mossoró/RN, Piripiri/PI, Salvador, Santo Antônio de Jesus/BA, Parnaíba/PI, Brasília e São Bernardo do Campo/SP pra umas 12 pessoas [risos] mas tinha um brother que tinha ido de Santo André pra ver a gente, correspondente de cartas [risos].

Monasterium 1997 Alex no vocal foto Wagner Lopes da Silva
[Monasterium, 1997 – foto: Wagner Lopes da Silva]

– Conheci sua banda Skate Aranha pela internet. Conversamos eu, você, Julliano, e lançamos todos juntos um 10 polegadas que deixa muita gente feliz. Me conte tudo do Skate Aranha, como, porque e quando começou, quando, porque e quem idealizou tudo, como foi essa gravação, porque, que doideira é essa de Misfits com Mayhem… Me conte tudo, quero início, meio e fim!
Vixe, isso aí como diz o Alex [vocalista] é mexer em casa de marimbondo. A ideia de montar uma banda naquela linha teve início em 2006, em Amsterdam, comigo e uma atriz e cantora alemã chamada Ariadna Rubio, compusemos umas músicas juntos e gravamos uma demo. Como ela estava mais focada em seu trabalho como atriz e eu tive que voltar pro Brasil, chamei o Alex [No Pollution] que era o primeiro vocalista do Monasterium pra cantar e fazermos a banda juntos. Passamos um ano trabalhando nas músicas e quando estavam todas compostas e prontas pra gravar, começamos a pensar em bateristas. Quando o Julliano soube disso largou a vida dele em Dublin, na Irlanda, e veio pra Teresina, pra se juntar ao SA… Ele também é do início do Monasterium e também tocou comigo durante seis anos no Lado 2 Estéreo. Achei interessante, pois somos todos amigos desde moleques. Eu mesmo gravei o baixo e depois o Júnior fez uns ensaios tocando com a gente. Estávamos esperando pra mixar o material, mas daí o cara do estúdio sumiu. Então nesse meio tempo resolvemos fazer uns CD-Rs sem mixar mesmo, encomendei 100 cópias e no dia que os CDs chegaram o Alex desistiu da banda e na semana seguinte o Julliano também. Depois disso você apareceu com o interesse de lançar e, sinceramente, pra mim era um pé no saco ter que ficar lidando com assuntos de Skate Aranha… Hoje acho legal ter o 10″ aqui, apesar de ter saído diferente do que deveria ser, sobretudo pela falta de mixagem.

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[foto horrível: Ricardo Tibiu]

– O Skate Aranha, definitivamente, acabou?
O Julliano tava tentando voltar a banda, ele gosta muito das músicas e boto fé que vai remontá-la. Eu prefiro me focar no Bode Preto.

– Bode Preto é o que? Death metal, black metal, metal extremo?
Bode Preto é metal obscuro e porrada.

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[Bode Preto, 2010 – foto: Arianne Pirajá]

– Eu vi uma foto de vocês de jaqueta de couro no meio de uma mata queimada, com galhos de árvores pegando fogo.  Como é viver a banda em Teresina? O que você tem a me falar da sua cidade, da cena, das bandas que existem por aí e como é sua vida musical?
Naquele dia chegamos lá ainda antes de amanhecer e fizemos as fotos nos primeiros minutos de sol, ninguém tinha dormido à noite e chapamos lá, foi massa. Aqui sou meio isolado, não tanto quanto gostaria, moro um pouco afastado do centro da cidade, perto de um parque Zoobotânico. Muita gente gosta da banda aqui, um pessoal bem novo e uns caras das antigas que eu considero a opinião vieram me falar que acharam “do caralho” o Bode Preto, desses incluo o Fawster Teles, que era baixista do Scud e depois vocalista, guitarrista e baterista do Demolidor, o Marcelo Alelaf, do Scud, Chakal – vocalista do Obtus, Mike Soares – guitarrista do ancestral Megahertz, Falber, do Source webzine, Rogério Deathtrash que também tinha zine e tem um enorme arcevo de fotos de shows daqui, Flávio Nordestino, esse era roadie do Lado 2 Estéreo e dizia sempre “essa banda é bosta pura”, ele estava nos primeiros ensaios e shows do Monasterium. Achei massa ir ao show do Vulcano aqui, pois o pessoal dessa época estava a maioria lá, é mais massa você compartilhar algo assim com pessoas que sabem de onde aquilo vem e já experienciaram situações muito adversas só pra ouvir uma fita ou fazer um show ou ensaio praticamente sem equipamento. Trabalho em casa, tenho uma parceria artística e sociedade com um artista plástico/grafiteiro chamado Hudson Magão, temos um ateliê e quando tem algum trampo ele traz aqui e a gente desenvolve junto. Então saio de casa o mínimo possível. Minha vida musical é passar o dia quase todo ouvindo som ou tocando [risos].

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[Bode Preto, 2010 – foto: Bianca Lessa]

– Qual a sua religião e o que você quer passar com as letras do Bode Preto?
Não sigo religião, detesto pastores, padres e os mascates da fé em geral. Sobre as letras, cada uma tem seu sentido, vou dar uns exemplos. Inverted Blood é sobre os condicionamentos que recebemos mesmo antes de nascer, que modifica nosso corpo e nossa mente, a inversão da vida, que diferente da morte, é o desvio da função original da vida. A compressão da vida ao seu mínimo, a negação que faz algo simples e natural ser interpretado como algo externo e diabólico. Como exemplo cito a energia sexual que quando negada, e extrapolada na esquizofrenia, se transforma em “tentação demoníaca” utilizada de forma extremamente irresponsável pelos “sacerdotes”. Elytron é um sonho em que uma Succubus me visitou, lembro bem dos grandes lábios dela. Mother of Ferocity é sobre as mães e pais que servem como os primeiros, e acredito eu o mais eficientes, agentes do rolo compressor que esmaga as crianças. Elas nascem completamente racionais, mas ainda despreparadas para a violência de símbolos que é a “realidade”. Isso tudo acontece sob a desculpa de “educá-las” ou “discipliná-las” e assim os pais agem na grande maioria não por escolha própria, mesmo assim são responsáveis, pois depois de adultos não buscaram uma auto educação suficiente para quebrar essa corrente desgraçada e auto sabotadora. Qual adulto gostaria de todo dia levar safanão ou ser humilhado na rua por um policial? Agora imagina isso da sua mãe, pai ou qualquer adulto que bata ou humilhe criança. Agem como criaturas anti cósmicas que ao invés de proteger e fazer florescer suas crias, a sufocam, deixando sua respiração curtíssima e o ódio latente na garganta, melhor não se reproduzir dessa forma. Com isso não quero dizer que é uma letra pessoal onde “exorciso meus problemas”, longe disso, não há nada assim no disco. Agora, é uma verdade velada como tantas outras. Com isso não estou me excluíndo, mas você não precisa ser perfeito pra conseguir observar tanta insanidade nesse mundo das idéias que o ser humano criou. Quem está se beneficiando com esse modo de vida?

Bode Preto foto Erick Miranda
[Bode Preto – foto: Erick Miranda]

– Se voce ouvisse que o Bode Preto é o novo Sarcófago, o que você falaria pra pessoa que te disse isso?
Entenderia como uma forma de elogio, mas são épocas diferentes e sei que temos que trabalhar muito mais pra deixar um legado forte como o do Sarcófago, mesmo assim isso não depende só da gente.

Dark Night

– Dark Night é o primeiro e maravilhoso EP da banda, que a princípio temos apenas no Bandcamp, mas que em breve será lançado em 7”.  Tem uma música que a mesma base de Rat Sushi do Skate Aranha, o que rolou?
Assim que os caras desisitiram, falei com o Júnior que também é baterista, e rapidamente montamos um trio usando algumas músicas do SA, uma semana depois fizemos o primeiro show e mantivemos essa música.

Bode Preto 2010 foto Caio Bruno
[Bode Preto – foto: Caio Bruno]

– Qual a formação atual do Bode?
Eu na guitarra e voz, e o Adelson Souza na bateria. Vamos fazer shows com um guitarrista solo e um baixista convidados por enquanto.


– O disco novo está saindo pela Läjä em parceria com a Death Noise Productions e também sairá na Europa. Quais os planos?
A Speed Freak, agência underground do RJ, está na função de armar uma tour pra divulgarmos o disco no Brasil, estamos fechando as datas e deve começar em Abril ou Maio. Acabou de sair uma entrevista no site da Decibel Magazine [USA | decibelmagazine.com/ENTREVISTA], uma ótima resenha e um som no CD da Terrorirzer Mag [UK], vai sair uma entrevista de três páginas na DOA Mag [USA | doamag.com], temos o disco lançado em CD pela Ketzer Records, na Alemanha, e em K7 pela Goatprayer Records [UK]. Tem um comediante americano chamado Necrosexual [facebook.com/Necrosexual] que tem um programa de entrevista e humor na internet, ele usou nossa música em um de seus programas, o que achei massa [risos]. Os planos são de continuar fazendo discos e o que mais aparecer relacionado à banda.

Inverted Blood

– Você cuida sozinho da arte de tudo? Quem é o Japa que fez a capa do Skate Aranha? Quem fez as capas do Bode Preto?
No Bode Preto sim, tomo conta dessa parte. Com o Yuzuru Namiki [Nota do Tibiu: Vale conferir o trampo dele: yzrcraftsman.com] passei uns quatro ou cinco meses trabalhando naquele emblema que está na capa do 10″. Mandava fotos, rascunhos, desenhos, textos e ele enviava rascunhos de volta. Acho que os dois gostaram muito dessa interação. As capas do Bode Preto são diferentes obras da mesma pessoa, o artista francês do século 19 Gustave Doré… Não tinha intenção original que fossem do mesmo artista, mas quando vi a pintura Enigma visualizei a capa do Inverted Blood.

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[Lado 2 Estéreo – foto: Barwerd Van Der Plas]

– Já escutei outros trabalhos seus, inclusive Samba Bloody Samba, que é algo que nunca imaginaria ver você tocando. Que outros projetos você tem?
Essa música tem letra baseada naquele filme, e no episódio que lembro bem do dia, Ônibus 174. É um documentário do diretor José Padilha sobre um cara que sequestrou um ônibus no Rio de Janeiro e foi transmitido ao vivo pela TV. Poxa, cara, com o Lado 2 Estéreo rolou muito vacilo, mas também muita coisa boa. Vacilo é de se guiar pelo ego, de fazer coisas pra “parecer bonito”, com uma vontade doida de ser aceito como “artista” ou de poder ser músico profissional. Mas também uma vontade genuína de estar mais perto da música de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Fela Kuti, Jorge Benjor, Nação Zumbi, Cedric Brooks, Kraftwerk… Com essa banda trabalhamos com o DJ Dolores, Chico Correa e com o Jam da Silva, que gravou umas percussões impressionantes pra gente em Recife, quando fomos gravar lá em 2000. Aprendi muito sobre ritmo e como a vida tem vários pontos de vista. Depois tive praticamente um workshop de cinco anos de produção musical digital com o nosso parceiro, e grande amigo Hubert Souchaud. Ele é um francês que morava aqui na época e produziu dois discos nossos no seu estúdio móvel, por causa disso fui capaz de gravar e produzir o disco do Bode Preto todo no meu home studio. Ainda tocamos em cidades como Fortaleza, Natal, Salvador, Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa, Brasília, São Paulo, Amsterdam, Curitiba, São Leopoldo/RS e Porto Alegre. Temos músicas em filmes e documentários. Em 2005, atingimos o ponto mais massa da banda, pra mim, ao tocar no Tim Festival, no mesmo palco do Wilco. Naquela edição ainda teve Wayne Shorter Quartet, Dr. John e Elvis Costello que acho massa. Nesse festival também tocaram Brian Wilson [The Beach Boys] e o próprio Kraftwerk em outras edições. Na época do Lado 2 Estéreo eu tive a oportunidade de encontrar o Cramps inteiro nas ruas de Amsterdam, conversei um pouco com o Lux e dei um CD de presente pra ele, que se mostrou um cara muito gentil. Esse episódio sempre que posso eu conto [risos] motivo de grande orgulho. Em 1999 tive uma passagem rápida pelo Insanity, de Fortaleza, substituí o guitarrista deles que não podia ir fazer uma tour com Nervochaos e Disgorge [USA], demos um rolê grande numa van e um Escort, tocamos em Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Londrina, Vitória e Cotia/SP, nesse o Insanity não tocou, pois o baterista já tinha voltado pra casa, mas eu e o George Frizzo estávamos lá [risos].

Bull Dancing 2006 - Foto Erick Miranda
[Bull Dancing, 2006 – foto: Erick Miranda]

– Você faz teatro? Trilha sonora?
Desde 2001, eu trabalho com Teatro físico e Dança, participei da criação e apresentação de 15 peças com diferentes coreógrafos no Brasil e Europa, dentre os brasileiros trabalhei com os dois que mais admiro, Marcelo Evelin e Sheila Ribeiro, e com diretores de Teatro como Gilberto Gawronski. Pra quem se interessa por esse tipo de arte sabe do que estou falando. Por causa disso pude começar a trabalhar na Europa, onde participo de peças desde 2003. Apesar de ficar sempre bastante focado na música das peças na grande maioria participo como performer também, com esses trampos já me apresentei na maioria das capitais brasileiras e em cidades como Berlin, Amsterdam, Praga e Bruxelas. Com trampos sendo apresentados em festivais como o Kunstenfestivaldesarts, na Bélgica, Move Berlin, Rio Cena Contemporânea, Itaú Cultural, Cuba, Japão etc.

Bode Preto 2010 foto Arianne Pirajá
[Bode Preto, 2010 – foto: Arianne Pirajá]

– Raimundo Soldado é do Piauí ou estou enganado? Até que ponto sua cidade, seu Estado e região te influenciam musicalmente e na vida?
Ele nasceu na cidade de Santa Inês, no Maranhão, inclusive ele tem uma música chamada Minha Santa Inês, mas morava por aqui, acho que em Timon, cidade vizinha a Teresina mas no Maranhão tem um rio entre as cidades… Ele tocava sanfona demais e tem músicas emblemáticas. A cidade sempre influencia na vida, né? Daqui de Teresina eu gosto de uma demo chamada No Pollution, do Demolidor, do primeiro split do Megahertz e dos shows do Obtus. A minha maior influência direta daqui foi um tio meu chamado Alcântara que é músico profissional e me mostrou uma Fender Stratocaster vermelha com branco, e a coleção de discos dos Beatles que ele guardava naquelas pastas de capa preta e folhas de plástico, tipo que as meninas guardam papel de carta. Eu tinha uns oito anos e foi a primeira vez que senti prazer ao escutar música ,e ver e escutar aquela guitarra foi impressionante. Ele tinha um Opala, uma CB 400 e pegava todas as gatas ainda mais [risos], hoje em dia tá liso [risos] mas a voz e a guitarra soam muito bem ao tocar os Beatles quando vem aqui.

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[foto horrível: Ricardo Tibiu]

– Quem desenhou aquele capeta horrível matando um padre dentro da igreja no encarte do Skate Aranha?
Cara, aquilo é de um fanzine antigo que peguei na época do Monasterium, chama-se Astarte a pessoa quem desenhou e o zine era Necro Cannibal Zine.

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[Bode Preto, 2010 – foto: Bianca Lessa]

– Me conte detalhes sobre a produção do novo disco do Bode Preto, o Inverted Blood. Quem gravou, aonde, quem mixou, quem masterizou?
Os caras que tocavam no Bode Preto não estavam separando tempo pra banda, então fiquei concentrado em compor e tentando gravar baterias, já que estava com um kit montado aqui em casa. Consegui gravar demos e conversando com o Adelson mandei uns MP3 pra ele que na mesma hora se interessou em desenvolver aquelas batidas. Pra quem não conhece, o Adelson é membro fundador do The Endoparasites, é um dos grandes vultos do Death Metal brasileiro. Ele também gravou um disco e fez uma tour européia com o Grave Desecrator. Ele veio passar uma semana aqui, dormia no mesmo espaço onde ficam os instrumentos e nessa semana gravamos as baterias e fizemos as fotos da banda. Com o tempo o que era pra ser um “músico convidado” se transformou num membro oficial do Bode Preto. Ele convidou o Fábio Jhasko [ex-Sarcófago] pra gravar uns solos de guitarra, o que foi algo sensacional pra mim, e trouxe sua bateria poderosa e caótica. O Inverted Blood foi mixado e masterizado por um cara chamado Ajeet Gill, no Hellfire Studios [hellfireproductions.com], em Birmingham, na Inglaterra. Pra fazer essa produção eu vendi parte do meu estúdio, incluíndo a bateria e um ampli Marshall.

– Quais as diferenças cruciais entre o Dark Night e o Inverted Blood?
A formação da banda, a forma de gravação e a pegada, a do Inverted Blood é mais casca dura, até pela idade e histórico dos caras que gravaram [risos].

Bode Preto - foto Erick Miranda
[Bode Preto – foto: Erick Miranda]

– Você imaginou que o lançamento do Inverted Blood teria tanta repercussão nacional, com pessoas que não escutam metal extremo?
Não cara, acho massa as pessoas gostarem. Mas se o pessoal do underground, do Death e Black Metal não tivesse curtindo também eu ia ficar de orelha em pé com a certeza que estava errado, pois essas pessoas têm referências de outras bandas, de procedimetos underground, vivência de shows, rolês etc.

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[Bode Preto, 2010 – foto: Bianca Lessa]

– Deixe suas últimas palavras aos leitores.
Imaginem-me como um eremita do Piauí que não tá sabendo o que está rolando nas tendências aí. Grande abraço Mozine e obrigado pelo apoio ao Bode Preto.

Bode Preto 2010 foto Arianne Pirajá
[Bode Preto, 2010 – foto: Arianne Pirajá]

Mais informações: bodepreto.com | facebook.com/6bode6preto6 | laja.com.br | dnprod.com.br | http://www.ketzer-records.de | goatprayerrecords.com | yzrcraftsman.com | facebook.com/Necrosexual | myspace.com/skatearanha | myspace.com/lado2estereo | metalpi.wordpress.com/monasterium

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comentários

11 thoughts on “Entrevista: Josh [Bode Preto]

  1. Muito boa a entrevista! O cara faz várias paradas..
    Já achava massa o Bode Preto e o Skate Aranha, escutei aqui o Lado 2 Estéreo e achei bem interessante..

  2. Porra, Josué sempre fez coisas bacanas. Monasterium era muito foda. Inclusive foi o primeira show de metal que eu vi. Quando acabou o cara montou o Lado 2 estero que era um projeto de bossa nova, samba e o caralho a 4. Bode Preto eu acho muito bom também. Mas eles quase não tocam. Não fizeram mais do que 3 shows aqui em Teresina e eu fiz o favor de perder todos.

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