Queers & Queens 2013 – Tuna

Este será o último final de semana de Queers & Queens 2013!

Então estamos na reta final de nossa série de entrevistas com as bandas que participam do festival, realizado todos os finais de semana do mês de Março no Dynamite Pub [Rua 13 de Maio, 363, Bixiga] com entrada gratuita.

O foco principal é fortalecer a luta contra a homofobia, tendo público e grupos que simpatizam com a causa queer e que de alguma forma contribuem para que ela seja divulgada.

Nossa conversa de hoje foi com o Tuna, de SP, que se apresenta no sábado, dia 23, ao lado de Larusso e La Revancha, mais discotecagem dos DJs Xerxes e Walmir Jr.

É muito raro encontrar na música em geral, pessoas que consigam equilibrar qualidade, conteúdo e ativismo, com uma dose de senso de humor – isso não suaviza o peso das palavras, apenas tira a imagem carrancuda que muitas vezes afasta.

Ponto pro Tuna e pro seu “punk rock sensual”, pois é, leia abaixo e entenda o que estou falando!

Ah, não deixe de conferir, comprar, ouvir, baixar: O Mudo Mundo Com A Nossa Voz [tunapunkrock.com/tunalpmudomundo.zip].

[foto: divulgação]
tuna

– Quando sua banda foi formada e como você define o som dela?
A banda começou a se formar em 2009, primeiro com Paulo, Josimas e Mudinho. Ficamos um tempo escrevendo músicas e procurando vocal até que a Andreza nos apareceu como opção que estava na cara, mas da qual não nos tínhamos tocado. Depois da entrada dela retomamos a criação das músicas e as fomos refinando. Em outubro de 2010, estávamos no preparando para gravar e, como parte do processo, resolvemos fazer uma pré-gravação, mais para sacar o som e ver em que deveríamos melhorar. Infelizmente, dias depois dessa pré-gravação, o Mudinho se descobriu com um câncer terminal, que o matou em duas semanas. Resolvemos seguir adiante, por nós e por ele. Essa pré-gravação resultou algo que nos surpreendeu pela qualidade e se transformou no disco in memorian O Mudo Mundo com a Nossa Voz, disponível na No Gods No Masters [nogods-nomasters.com]. Convidamos o Renato para tocar nesse meio tempo, voltamos à fase de ensaios, caímos na estrada desde então e organizamos nossa primeira tour europeia. Falamos que o som é um “punk rock sensual”, pois buscamos aproximar as pessoas, buscar contato com elas, trocar vida e vivências. É sensual porque tenta ser enérgico sem ser agressivo. A ideia é envolver as pessoas e não incomodá-las. Disso vem a proposta da sensualidade e sedução, que quando você envolve as pessoas, elas ficam mais abertas e menos na defensiva. Procuramos adicionar elementos que, de modo geral, não fazem parte do punk rock, como harmonias mais trabalhadas e que têm influência de música brasileira, latina e oriental, além de procurar escrever as letras com uma perspectiva mais positiva e bem-humorada, sem perder o tom crítico e político que reflete tanto o gênero musical como nossas preocupações e visões, enfim, aquilo que achamos importante tornar público e pôr em debate. [Letras: tunapunkrock.com/letras]

– Pra vocês, o que significa tocar num evento como o Q&Q?
Tocar num evento como esse tem um potencial muito bom de proporcionar o encontro de pessoas que compartilham de lutas, ideias e posturas que desde sempre estiveram à margem de uma cena que se dispõe a ser contracultural. Atualmente vemos que esses assuntos, como o queer e o feminismo, estão se mostrando bem indigestos pra grande parte dessa cena majoritariamente masculina, hétero e bem resolvida. Em grande parte, esse relativo atraso se dá pela falta de continuidade que esses debates e mobilizações têm. Entra ano e sai ano, gerações mudam, gente sai, gente entra e, muitas vezes, quem começa a fazer as coisas está sempre meio que partindo do zero. É legal ver que nesse evento teremos a participação tanto de quem tá começando a atuar no punk nos últimos anos como de quem já tem muito tempo de janela.

qandq2013

– Ter um festival punk e gay com o apoio do Governo do Estado de São Paulo reflete mudanças na sociedade?
Sem dúvida é uma mudança. Mas o Governo está tendo que acompanhar uma demanda social. O mérito não é dele, muita gente lutou e muitos tem lutado pelos direitos e visibilidade gay, lésbica, bissexual e trans. É uma luta também que está longe de ter um fim, principalmente quando falamos de transsexuais e travestis no Brasil. Acho que é importante pegar essas brechas e torná-las ainda mais radicais e menos reformistas. E é nisso que entra as teorias e mobilizações queers.
É importante comentar que este mesmo Estado que apoia iniciativas ligadas a questões de gênero e sexualidade também é o Estado que mata pessoas trans nas ruas, espanca ou se omite no dever de proteger. Em 2012, 130 pessoas trans foram assassinadas nas ruas. Este apoio por parte de instituições do Governo se dá pois a luta por direitos e visibilidade cresce a cada dia e já é impossível fechar os olhos.

– Que tal as outras bandas do fest?
Conhecemos bem algumas das bandas que vão tocar no festival e temos ótima relação com algumas delas. Outras são bem desconhecidas da gente até o momento, mas estamos procurando conhecer cada uma, sua música, o que dizem em suas letras e coisas do tipo. O mais importante nas bandas é elas terem se envolvido num festival com este caráter e não importa se elas têm uma ótima sonoridade ou não, elas estão participando, fazendo e construindo muita coisa importante e isso é bastante relevante.

– Quais são os próximos planos do Tuna?
Estamos gravando nosso segundo disco agora, então estamos mais focados em ensaiar e trabalhar as músicas novas, escrever letras, discutir arte da capa, encarte, vivenciar momentos juntxs, conversar sobre diversos temas que estão ao nosso redor, pois banda, para nós, tem tudo isso… Convivência, amizade, cumplicidade, brigas, carinho, banhos de mar, risadas, broncas… Estamos mais voltados para nós neste momento e por isso temos tocado menos. E claro que tivemos que abrir exceção para o Q&Q, né? [risos]. Iremos montar um estúdio de gravação em casa mesmo, utilizar diversos cômodos da casa para gravar, viver uns dias enfiados em casa, alternando entre cozinhar e gravar até termos o disco pronto e depois de gravado, vamos já para a mix e master para mandar prensar os vinis na Europa com a ajuda de selos amigos e que já conhecem um pouco do trabalho da banda devido à tour europeia de 2011 e à boa repercussão do disco. Depois, o plano é irmos lá buscar os discos e fazer mais uma tour. Então podem esperar muitas músicas novas nesse show. Para conhecer mais um pouco sobre nós: www.tunapunkrock.com

Mais informações: queersandqueens.com.br | facebook.com/QeQFestival | tunapunkrock.com | nogods-nomasters.com | reverbnation.com/tunapunkrock | facebook.com/tuna.punkrock

programacaoqq2013

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