Queers & Queens 2013 – Metade Melhor

Vamos para as últimas entrevistas de nossa série com as bandas participantes do Queers & Queens.

Com o objetivo de fortalecer a luta contra a homofobia, o festival está sendo realizado durante todos os finais de semana de Março no Dynamite Pub [Rua 13 de Maio, 363, Bixiga] com entrada gratuita.

Desta vez, conversamos com o Metade Melhor, grupo que reúne uma galera envolvida em tantos projetos, como Still Strong, Futuro, Nerds Attack!, entre outros: Xavero [voz/guitarra], Mila [baixo], Xopô [guitarra] e Alemão [bateria].

Eles se apresentam no dia 24/03, domingo, ao lado de Twinpine(s) e Not A Lady, e da discotecagem de Manu e Ledah Briacho.

Ainda sem material lançado, nos resta ver os shows e/ou vídeos do MM, para quem ainda não conhece, vale uma lida na entrevista abaixo.

Destaco um trechinho da resposta a respeito do apoio do Governo ao Q&Q: “…O punk não quer ser o Governo, ele quer reivindicar e eleger direitos ao povo da maneira mais adequada para cada situação…”.

Confira na íntegra!

[foto: Lucas Valente | flickr.com/cabu_valente]
mm_lucasvalente

– Quando sua banda foi formada e como você define o som dela?
A banda surgiu em 2011, não me lembro do mês exatamente. O primeiro show foi em outubro, quando já tinhamos cinco sons prontos e estamos aí até hoje. Gostamos bastante das bandas que fizeram parte da Revolution Summer como o Embrace, Rites of Spring, Gray Matter, Marginal Man e One Last Wish, bandas cuja participação das guitarras é crucial como Dinosaur Jr., Sonic Youth, Hüsker Dü, dentre muitas outras. Com certeza isso reflete no nosso som e na definição dele, seja ela qual for.

– Pra vocês, o que significa tocar num evento como o Q&Q?
Muitas coisas. É bem significativo pensar que o festival envolve toda uma rede, não apenas de bandas que combatem a homo/transfobia, cada qual da sua maneira, como de pessoas que estão coligadas com essa proposta de formas distintas. São músicas diferentes, ações diferentes, mas o objetivo final, de certa forma, é o mesmo; combater uma impunidade política e moral – pra não dizer o contrário – que esmaga e oprime, todos os dias. De fato, nos fortalecemos quando criamos raízes; quanto mais pessoas, mais reverberação, mais atitudes, vínculos, novas tentativas e continuidades. Poucos pilares como estes resumem bem o sentimento.

qandq2013

– Ter um festival punk e gay com o apoio do Governo do Estado de São Paulo reflete mudanças na sociedade?
É uma pergunta delicada e a resposta parece abrir um leque de novos questionamentos. Depende de qual sociedade estamos falando, de qual Governo, de que maneira a mídia difunde essa proposta das Secretarias para a população, dentre outras mil questões. É muito difícil centralizar todas essas informações em poucos nomes e acreditar que podemos chegar em um resultado sólido, quando ele não parece nem ao menos coerente; Somar o hardcore/punk ao meio gay, ambos ao Governo? No que isso agrega – propositalmente – a cultura? E quanto ao punk, ao queer, a todo meio subterrâneo e marginal? É possível que nos disvincilhemos da ideia de que o Governo age unicamente como um patrocinador, enquanto há retorno, e passemos a acreditar que ele apoia de verdade todos esses grupos, temas e ações? Nós acreditamos no “faça você mesmo” pela sua autoralidade e pelos seus “próprios punhos”, sabe? Isso sim parece real, de certa forma. Não vamos negar que diretamente – e por obrigação – é importante que o Governo contribua para a construção de excelentes projetos como o Q&Q, pois com certeza toda a produção gera reflexos e resultados favoráveis, mesmo pensando em uma escala pequena e não em uma população, como um todo. Agora, essa questão do apoio é dual, deve ser pensada e repensada sempre, e juntar todos esses grupos e universos guetificados em um só meio, no fundo, não é real. O punk não quer ser o Governo, ele quer reivindicar e eleger direitos ao povo da maneira mais adequada para cada situação, totalmente independente das medidas de segurança, ordem, silenciamento – e esquecimento – do Estado. Essa é a ideia, não tem mistura fina.

– Que tal as outras bandas do fest?
Muito boas! Realmente surpreso com a quantidade de bandas. Nem passou pela cabeça que tanta gente assim iria participar. Tem espaço pra todos, e isso é muito legal.

– Quais são os próximos planos da MM?
O Metade tem uma gravação pra fazer, ainda esse ano. Temos vários sons prontos e, com exceção dos vídeos que temos no Youtube dos shows, ainda não conseguimos gravar essas músicas. Estamos vendo de que forma o material vai sair e quais são os passos certos que podemos dar com a banda, tentando calcular bem pra que seja algo bacana e que possamos difundir da melhor maneira possível.

Mais informações: queersandqueens.com.br | facebook.com/QeQFestival | facebook.com/Metade-Melhor | youtube.com/MetadeMelhor

programacaoqq2013

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comentários

4 thoughts on “Queers & Queens 2013 – Metade Melhor

  1. Muito boa a entrevista mesmo, galera foi afiada ao responder essa terceira pergunta nas últimas entrevistas..
    Gostei das influências, espero que soltem alguma música em breve, fica ruim pra sacar o som só com vídeo de show..

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