Omfalos – Avant-garde

Vamos relembrar uma entrevista que nem é tão velha, mas tá na minha lista de matérias que fiz para a TramaVirtual e com o site saindo do ar, vou “salvando” por aqui.

Agora é a vez o Omfalos, confira abaixo!


Publicado originalmente em: 24/04/12

Temos pouco mais de 76 mil perfis de bandas aqui na TramaVirtual, onde estão hospedadas cerca de 200 mil músicas. Diariamente ouvimos artistas de tudo quanto é gênero e canto do país. Recém chegado no site, o Omfalos, de Brasília/DF, logo chamou nossa atenção. Música extrema, pesada mesmo, com conteúdo e completamente livre – indo do black metal ao gótico, sem receio do experimental. Thormianak [guitarras] e Misanthrope [vocais] uniram afinidades musicais e pessoais, gravaram Idiots Savants e com ele [que saiu via Equivokke Records | equivokkerecords.bandcamp.com] têm atingido um público que também se identifica com seu conteúdo. Foi com Misanthrope que conversamos para conhecer melhor o projeto que tanto nos surpreendeu positivamente. Chame de black metal avant-garde, de música livre extrema, enfim, do que quiser, só não deixe de conferir!

[fotos: facebook.com/Omfalos]
omfalos

– Como e quando surgiu o Omfalos?
O Omfalos surgiu como embrião de banda em 2007, o Marcos tinha umas músicas que não cabiam no Miasthenia e ele resolveu montar um projeto para dar destino a estas composições. Depois de algumas formações e tentativas que não deram tão certo, o projeto ficou adormecido até mais ou menos o meio de 2008, que foi quando eu estava voltando de um período morando no Canadá. Assim que nos conhecemos a gente teve muitas afinidades dentro da música e tivemos a ideia de resgatar aquelas músicas e dar uma cara nova pra elas. Disso tudo aí, resolvemos firmar que o núcleo da banda seríamos apenas nós dois e alguns eventuais convidados. Ajeitei as letras, fomos a meu home studio e começamos essa brincadeira que já foi muito mais longe do que poderíamos imaginar.

– Além de vocês, Thormianak e Misanthrope, alguém mais gravou o disco? Quem participa ao vivo?
Basicamente eu e o Thomianak tocamos tudo em estúdio, exceto a bateria que foi tocada por um amigo nosso que infelizmente não pode nos acompanhar em nossos shows. Nós produzimos o álbum e tivemos uma ajuda enorme do Caio Duarte [Dynahead | dynahead.com.br] na mixagem e masterização. Ao vivo nós contamos com um line up muito especial com membros do Miasthenia [facebook.com/miasthenia], Vultos Vocíferos [myspace.com/vultosvociferos] e Final Trágico [myspace.com/finaltragico].

– Ter um trecho da música de Fando y Lis, de Alejandro Jodorowsky, já mostra que a Omfalos é uma banda que foge do óbvio. Além da música, que outras referências culturais/artísticas adentram o universo de vocês?
Boa pergunta. A gente adora vários tipos de manifestações artísticas, somos muito influenciados por filmes, livros e até mesmo por artistas plásticos e de performance. Eu particularmente sou fascinado por artistas de vanguarda, gosto do aspecto desafiador destas estéticas mais transgressoras e acho que isto é muito bem vindo em um nicho musical tão hermético e estanque como o Metal. O fã de Metal gosta de se considerar super aberto e transgressor, mas na maioria das vezes não é bem assim, pois é muito reduzido o espaço para inovações das bandas sem que essas sejam execradas por estes mesmos.

[fotos: facebook.com/Omfalos]
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– O black metal em geral tem como principal tema o satanismo, e/ou críticas voltadas a religião e dogmas em geral. No caso de vocês a abordagem é outra, vocês vão direto nos, digamos, problemas reais, na mente do ser humano. O quê e quem influencia na hora de compor?
Somos influenciados por tudo que acontece nas nossas vidas. Nós dois na banda somos diagnosticados com transtorno bipolar do comportamento e acho que essa condição é crucial na elaboração de nossas letras. Como letrista acho que devo escrever sobre aquilo que faz parte da minha vida e acho que questões como o satanismo e disputas religiosas no final de contas não fazem muita diferença pra mim. Prefiro escrever sobre temas aos quais as pessoas possam se identificar com mais facilidade.

– Ok, black metal não é um rótulo para Idiots Savants, eu concordo com isso, o disco vai muito além. Aliás, música nenhuma deveria ser rotulada, mas se fosse para definir ou se referir a música de vocês, qual vocês acham que seria a melhor definição? Black metal avant-garde?! Música livre extrema?
Deixamos essa definição para o ouvinte ou para os críticos. Na verdade, quanto a esta questão de rótulos eu fico meio perdido apareceu tanto estilo novo de uns anos pra cá que eu mal consigo acompanhar ou entender o quê é o quê. Para nós é muito difícil estabelecer limites de onde começa uma coisa e termina a outra. Acho que acabamos fazendo um caldeirão enorme com pitadas de death, black, industrial, punk e gótico sem que nada soe fora do lugar nem exagerado.

– Idiots Savants saiu em disco físico também? Como tem sido a resposta do público? Tem rolado algo fora do Brasil?
Saiu sim! O Idiots saiu pela Equivokke Records de nosso amigo Filipe, um selo que tem um rol de bandas formidável e que vai lançar nosso segundo play também. A resposta do público foi surpreendente, nosso CD chegou a lugares que nunca poderíamos imaginar como Europa, Japão e todo o continente americano. É muito lisonjeiro saber que uma banda pequena sem virtualmente nenhuma forma de divulgação conseguiu atingir tantas pessoas em lugares diferentes dessa maneira.

[fotos: facebook.com/Omfalos]
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– Queria que falasse um pouco do processo de gravação do Idiots Savants…
A gente gravou quase tudo no Less Than Zero, que é meu pequeno home studio. A gente começou a gravá-lo no final de 2010 e terminamos em março de 2011. Nós dois que produzimos a bronca toda e o Caio Duarte foi lá e fez a mágica dele na mixagem e masterização no estúdio dele.

– Com a crise da indústria fonográfica torna-se praticamente impossível viver de música no Brasil. Vocês têm alguma atividade paralela à banda?
Eu sou designer e dou aulas de Inglês. O Marcos é formado em Publicidade e é professor de Espanhol.

– Vi no perfil de vocês da TramaVirtual que o Facada está entre as influências, quais bandas nacionais contemporâneas vocês destacariam?
Os caras do Facada são uma influência enorme para mim, além de serem grandes amigos. Aqui no Brasil está brotando uma cena muito forte alheia a todos estes vícios e panelinhas da mídia semi-especializada brasileira. Nos identificamos muito com as propostas anti-conformistas e ousadas de bandas como o próprio Facada [presente na chivetarama 2], Mamma Cadela, The Black Coffins [também na chivetarama-ma-ma-ma], Mito Da Caverna, Subterror, Test, D.E.R., Plastique Noir, Vitrine, Bode Preto [leia entrevista aqui], Godtoh e tantas outras por aí.

[fotos: facebook.com/Omfalos]
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– O quê será que Mike Patton diria se ouvisse Omfalos? Será que rolaria um convite pra entrar no cast da Ipecac?
Rapaz, e quem sou eu pra despertar interesse dele? [risos]. Ele certamente foi a minha maior influência vocal em todos os tempos, já me sentiria super honrado só de saber que ele deu uma chance de escutar nosso som. O cast da Ipecac é cheio de bandas maravilhosas e se ele achasse a gente no mesmo nível destes caras acho que eu já estaria com minha missão cumprida enquanto artista.

– Quais são os próximos planos?
Estamos com alguns shows marcados esse ano e acho que vai ser bom pra nossos amigos conhecerem nossa formação ao vivo. Estamos bem ensaiados e tenho certeza que conseguiremos dar uma performance bem intensa para o público. Fora isso, já estamos com nosso segundo play quase pronto. Estou gravando aqui os vocais e acho que esse CD vai surpreender muita gente. Em primeira mão já adianto aqui que o nome vai ser Cotton Candy Rendezvous.

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Mais informações: omfalos.bandcamp.com | facebook.com/Omfalos | myspace.com/omfalossavants | lastfm.com.br/Omfalos | equivokkerecords.bandcamp.com

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comentários

14 thoughts on “Omfalos – Avant-garde

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  3. Coisa fina!
    Eu lembro vagamente da entrevista, bem massa por sinal, mas não lembrava que ele tinha citado o Facada e o Plastique Noir aqui de Fortaleza, bacana..

    • verdade, Arthur, Fortaleza representando!
      o Plastique Noir não faz o tipo de som que eu gosto, mas acho muito bem feito, muito boa a banda!

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