Chuva Negra – Meio Termo

A vida é cheia de altos e baixos, muitos sentimentos se cruzam e confudem nossas cabeças.

Num mesmo dia experimentamos emoções que resultantes de simples ações podem nos jogar para cima ou, com a mesma intensidade, para baixo.

É aí que a música entra como um fármaco natural que tem um efeito terapêutico e libera neurotransmissores que estimulam a serotonina.

Meio Termo, o segundo disco da banda paulistana Chuva Negra, chega como um desfibrilador em forma de punk rock.

O sucessor do EP Sempre Verão [de 2012 e que ganhou edição limitada e numerada em vinil 7″ via Burning London | blrecords.com.br/chuva-negra] e do CD Terapia [2010] emana triptofano hardcore.

Da primeira faixa, “A Todos Reaças Que Eu Amo”, com uma introdução reggae caótica e trombone de Victor Fão, à última, “Testemunho de Nada”, que tem um final stoner, Rodrigo Moreno [voz], Mateus Brandão [guitarra e voz], Marcelo Sabino [bateria], Gabriel Siqueira [baixo e voz] e Thiago Nunes [guitarra] doam suas almas e corações de forma incondicional e bruta.

[Vídeo – Câmera e Edição: Douglas Ferreira | Direção de Fotografia: Leandro Asai | Direção de Arte: Lucas “Cabu” Valente]

A genialidade pode se esconder na simplicidade de pequenas coisas, como brincar com jargões, tal qual acontece em “Você Não É Especial” e “Refém de Ontem”. Esta última pertence à ala emo do repertório [se é que isso não seja um devaneio do meu ser] ao lado de “Esmalte Escarlate”.

Entre melodias e metáforas, estão coros e ambiguidades, há espaço para o niilismo e a realidade, a temática pode ser política ou pessoal – quiçá as duas em uma, não há regras, a Chuva é livre. Pegue como exemplos, a dupla “Esta Casa Mata Fascistas” [não passarão!] e “O Destino Cabuloso do Gay Nazi e do Negro Homofóbico” ou até o o post-hardcore “Mão de Fogo”.

Ou mesmo a sequência punk melódica “Amanhã Vai Ser Pior”, uma espécie de autoajuda às avessas, “ligoligo” que abre com o riso gostoso e inocente de uma linda criança que tem a vida inteira pela frente e a total entrega, beira o piegas mas explode sinceridade.

Em tempos de Redes Sociais onde pessoas compartilham cada vez mais seu pior lado, “A Todos Reaças Que Eu Amo” é um unfollow merecido em quem a gente vê a máscara caindo.

Às vezes eu saio para caminhar na companhia de meus fones e minha consciência, gosto de andar pelo bairro e absorver a energia [junto vem a poluição] de ambientes onde nunca estive, se a placa diz que a rua é sem saída eu entro e dou bom dia pro cachorro solto no quintal, ainda que seu dono me olhe com aquele semblante fechado que os paulistas fazem tão bem. “Conheça Seus Vizinhos” amplifica esse dilema confuso, caminha pela Cracolândia mental e te faz afrouxar a gravata [nunca usei uma, figura de linguagem, manja?] e pensar que o cinza pode estar mais dentro de você que no concreto.

Em “Dois Quartos” você sonha acordado que o Chuva Negra é uma banda de rock pauleira que invadiu todos os canais de comunicação, seja rádio ou TV, e está disparando um mantra que, se não vai mudar sua vida, vai ao menos te fazer refletir: É hora de dizer para a paranóia: não para – diz Chinho, que berra menos que outrora, mas quando a música pede, faz com gosto: “Bolas Pra Assumir” & “Grau de Autismo Nº1” [com uma intro descontraída].

“Rodrigo Márcio” é uma crônica atual relatando a ascensão, apogeu e queda de seu personagem principal, que poderia ser eu, você ou a pessoa que você mais ama/odeia na vida, ainda que o desfecho seja com sangue por todos os lados.

chuvatermo

Gravado entre Novembro/2013 e Março/2014 no Estúdio Rock Together por Vinícius Sousa e Gab Scatolin, Meio Termo foi produzido, mixado e masterizado por Gab Scatolin no MUG Studio e tem arte assinada por Lucas “Cabu” Valente.

Em breve o disco sairá pela Together Records, nova gravadora independente que tem ainda Manual e Rawfire no cast, e no dia 11/04 estará no Bandcamp para streaming [togetherrecords.bandcamp.com].

O show de lançamento oficial será no Hangar 110, em São Paulo/SP, no dia 09 de Maio e contará ainda com as bandas Pense, Manual, Same Flann Choice e Triade.

A chuva é negra, traiçoeira e ela volta sempre – que bom, isto garante recaptação de serotonina no meu ser e eu aprecio sem moderação!

[foto: Roberto Gasparro | flickr.com/robertogasparro]
chuva_roberto_gasparro

Mais chuvanegra.bandcamp.com | facebook.com/ChuvaNegraPunk | togetherrecords.bandcamp.com

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comentários

16 thoughts on “Chuva Negra – Meio Termo

  1. Ansioso pra pra ouvir esse disco. O Chuva Negra se transformou muito rapido em uma das minhas bandas favoritas desde o um dos primeiros shows que vi no parque da juventude, inclusive foi quando tive a oportunidade de conhecer o responsavel por site, tinha colado junto com o Boqa no dia.

    E a festa de lançamento promete ser bonita. Colarei.

  2. ……..mestres, e a dificil e maravilhosa arte de ser muuuuuuuuuuito nois! inspirador como sempre … parabens amigos . que brisa boa bixo…….. e essa resenha? ahhhhhh humilhou professoooooor

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