Já Matei Por Menos – Juliana Cunha

Ontem terminei de ler o Já Matei Por Menos, compilação de textos do blog de Juliana Cunha.

Justamente por não seguir uma ordem, como numa história, fui lendo aos poucos, inclusive com outros livros no meio – caso de My Bloody Roots, a biografia do Max Cavalera que o tradutor conseguiu destruir e que em breve escreverei a respeito aqui.

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Começo dizendo que a Lote 42, editora que lançou, funciona como uma espécie de selo independente, sabe?! Tudo é feito escolhido a dedo! Desse modo eles têm poucos títulos, mas posso garantir que o material é extremamente caprichado, a distribuição tem a pegada do it yourself e aos poucos estão conquistando um merecido espaço de destaque no ~mercado~ editorial brasileiro.

Sobre a Juliana Cunha, tenho que dizer que eu gostaria de tomar um café com ela para brindarmos o nada. Minha identificação com ela é natural, o humor que não chega a ser ácido, mas não é de fácil absorção, um animal de estimação companheiro que divide as agruras da vida, a sensação de [sobre]viver à base de esmolas em troca de nosso serviço ao Jornalismo e, até, detalhes como a preguiça com eventos e/ou redes sociais.

[foto: Jorge Sato | www.jorgesato.com]
JulianaCunha_JorgeSato

Juliana é desses pequenos achados que não viram hype porque, principalmente, ela não deixaria que isso acontecesse e, porque do contrário aí sim, teríamos o nascimento de um novo J.D. Salinger.

Alguns posts/textos me fizeram rir alto, tamanha identificação e até aquela sensação de: PORRA, É ISSO!
Porque a Juliana sabe misturar a obrigação com o lazer, talvez pra ela não, mas para o leitor é pura diversão – não no sentido babaca da palavra.

Não tem piadinhas, coleguinhas, não é o Porta dos Fundos e nem tem a pretensão de ser. Não é Seinfeld [meu seriado predileto de todos os tempos, aliás, o único que eu gosto de verdade], mas é sobre o nada – o mesmo que eu queria brindar com um café.

Os 70 posts estão publicados em ordem cronológica, começando em Salvador/BA em Janeiro de 2008, acompanhando a mudança dela à capital paulista e que no livro termina em Janeiro de 2013.

E como em crônicas surgem assuntos corriqueiros, do cotidiano, tipo ir ao oculista [achava que só minha mãe falava assim ao invés de oftalmologista] e o ~drama~ de ter que escolher uma armação, até teorias sobre idosos nas filas de caixas, os 30 leitores que todos os blogs têm e “Sócrates e a escrita”.

São tantos dilemas e eu queria enumerar mais aqui, mas sem dar aquela colada preguiçosa de ~jornalista~ copiando o release ou ainda com o livro em mãos, mas ó, posso dizer que há uma circulação boa de ~personagens~ citados, de Gisele Bündchen a Kafka, passando por Tom Sawyer, Woody Allen, Steve Jobs e Clint Eastwood.

De cabeça, assim sem pensar, listo “Feng shui” [identificação total], “Jovem cidadão, sem orientação”, “Re-humilhação de anônimos”, “It’s complicated with words”, “Fordismo” e o já citado “Sócrates e a escrita” como meus prediletos.

Talvez isso mude, ainda vou reler o livro com uma caneta marca-texto na mão e algumas das frases destacadas irei imprimir, seja para me inspirar, quem sabe me fazer rir ou até apenas invejar Juliana.

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A arte da capa [detalhe acima] é assinada por Laurindo Feliciano, que inclusive manda muito bem e vale uma visita ao site dele [laurindofeliciano.com], o texto de abertura é do jornalista Luiz Horta [colunista d’O Estado de são Paulo] e a quarta capa de Emilio Fraia [escritor e editor da Cosac Naify].

O blog ainda está no ar [julianacunha.com] e Juliana deve estar correndo contra o tempo para entregar frilas, passear com o Palito, andar de bicileta, namorar e estudar – tudo ao mesmo tempo.

[foto: Jorge Sato | www.jorgesato.com]
palito

Mais sobre o livro: lote42.com.br/jamateipormenos
Mais sobre a editora Lote 42: lote42.com.br
Loja virtual da editora: lojalote42.com.br
Mais: facebook.com/Lote42 | twitter.com/lote42 | instagram.com/lote42

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[contador postado em 26/07/2015]

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comentários

8 thoughts on “Já Matei Por Menos – Juliana Cunha

  1. Que bom que ‘encontraram’ a Juliana assim! Ela é realmente um achado. Nem me lembro como cheguei ao blog dela, mas se tornou o meu preferido. Até estranhei uma postagem em que ela falou algo sobre a dificuldade em vender livros no Brasil (foi algo mais sutil) porque eu pensei: como assim? Como não virou hit de venda?! Ela é sensacional. Parabéns pela postagem. *.*

  2. Dei uma conferida rápida no blog dela e curti bastante o que li, vou sacar mais posts depois.. Valeu a dica, Tibiu! A “resenha” me deixou curioso pra ler o livro, hehe.

  3. Eu leio bem pouco e sinto vergonha disso. Não faço nada para mudar isso, infelizmente nunca faço nada.

    Favoritei o blog dela e vou dar uma conferida ou só passar pra dar um oi, ela aceita comentários de Emo?

    • a internet meio que afasta as pessoas da leitura, eu acho…. quem já não tem/tinha costume de ler, mais ainda…

      cara, em duas ou três passagens do livro ela cita a palavra ~emo~ 🙂

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