Ouvimos antes: Flamboyant, do Zander

Excepcionalmente nesta segunda-feira não teremos nosso tradicional post motivacional – mas é por um bom motivo: Ouvimos antes Flamboyant, do Zander.

O CD sai oficialmente dia 14/09, mas a banda nos procurou para uma prévia exclusiva e cá estamos. Confiram o texto abaixo e aguardem mais este belo lançamento do conjunto!

zander-flamboyant

Flamboyant vem do francês, flamenjante, sua origem está no latim flammare, que quer dizer incendiar. Não por acaso o segundo disco cheio da banda carioca Zander leva esse nome e é o sucessor de Brasa, de 2010.

De quando foi formada, em 2007, até hoje, muita coisa mudou, porém o espírito “faça você mesmo” é mantido em todos os aspectos que envolvem a confecção de um disco independente: seja compor, gravar, produzir ou criar a parte visual.

A necessidade de ampliar ainda mais a prática “do it yourself” fez surgir naturalmente a ideia de criar um selo, assim nasceu o Flecha Discos, que tem aqui seu debut numa parceria com o já consolidado Spider Merch.

O Zander hoje é Gabriel Zander [guitarra e voz], Marcelo Malni [baixo e voz], Gabriel Arbex [guitarra] e Bruno Bade [bateria], mas é também a cooperação de quem ajudou a lavrar o Flamboyant.

Ele foi gravado nos estúdios Superfuzz, no Rio, e TOTH, 44 e Costella, em São Paulo, por um time de feras: Gabriel Zander [que mixou e masterizou no ZanderMix Room, em São Caetano do Sul/SP], Gabriel Arbex, Elton Bozza, Fellipe Mesquita, Danilo Souza, Fernando Uehara, Philippe Fargnoli e Rafael Bala Costa entre Janeiro e Março de 2016.

A frondosa arte é assinada por Marcelo Malni & Estúdio Besoura, as fotos do encarte são de Felipe C. da Cunha e a da banda de João V. Portugal.

cd-flamboyant-zander

Ao dar o play o estopim é ativado com “Bandida e Malvista” e com ela explode o solo de guitarra de Philippe Fargnoli [veterano do hardcore nacional, conhecido por seu talento perfeccionista em nomes como Reffer, Dead Fish e, atualmente, CPM22], que também empresta suas melodias vocais características ao longo do disco.

A canção tem aquela pegada roqueira incandescente que consagrou o grupo, sempre com um refrão pronto para cair na graça do público. “Controle de Frequência” e “Pra Onde Eu For” também são assim, sendo esta última a que encerra o disco e carrega a tônica dele como um todo: exprimir sentimentos! Nela, a certeza de que caminhos mudam e não há como adivinhar o que vai acontecer, mas para mudar algo, o primeiro passo é querer – transições.

bil phil zander

Canções de amor permeiam o álbum, algumas mais sentimentais [“Sanca” e as frivolidades que às vezes fazem toda a diferença], outras quem sabe soturnas [a verve roqueira e a cumplicidade em “Vem Cá”] ou ainda sem pudor de soar piegas [a romântica “Bastian Contra o Nada” tem narrativa com os pés no chão e imaginação rumo a uma história sem fim], porém em comum os sentimentos em estado bruto.

“Diversidade” é mais que um rock dançante, é uma ode à liberdade, um manifesto contra os julgamentos e vaidades tão em voga nos dias de hoje compartilhados nas Redes Sociais e seus discursos de ódio.

Uma das curiosidades das árvores Flamboyant é que suas raízes são bastante agressivas, o que as torna impróprias para calçadas, ruas ou próximas de encanamentos e até fiação elétrica. Não por acaso esse lado “hostil” é refletido em faixas como “Avesso” [mais pela sonoridade punk rock do que pela letra que vai no sentido contrário] e a hardcore “Afinal” [confessional e melódica na mesma medida]. “Tá Esquisito” poderia estar neste bloco, ela começa frenética, mas na reta final se transforma conforme o trompete de Mauricio Takara [Hurtmold] vai se aprochegando até explodir num coro instigante onde a máxima “a distância entre sonhar ou viver é pensar demais” é proferida – mais motivacional impossível!

Uma tradição desde os saudosos tempos de Noção de Nada é mantida: uma canção de autoria do baixista Marcelo Malni é cantada por ele. “Tem Que” é suave como o movimento de folhas caindo no outono e angustiante como um fim de tarde num domingo nublado.

Flamboyant se junta às sementes espalhadas pelo Zander ao longo dos anos: os EPs Construção [2008], Já Faz Algum Tempo [2009] e EP’tizer [2014], o CD Brasa [2010], a coletânea Compilése Vol.1 – 2008/2009 [2011], o 4-way split Chumbo [2012] com os conterrâneos Plastic Fire e os paulistanos Bullet Bane e Fire Driven e o split em vinil 7 polegadas com os capixabas Dead Fish [2013].

Cada qual foi resultado de trabalho árduo, germinado em momentos diferentes, mas colhendo frutos importantes para a trajetória e consolidação do grupo. Mais do que ornamental, Flamboyant é vida e no caso do Zander exalando música e sentimentos.

Texto por: Ricardo Tibiu

Mais:
Zander [facebook.com/zanderoficial + facebook.com/zanderblues + spotify.com/Zander + zanderblues.bandcamp.com]
Flecha Discos [facebook.com/flechadiscos] | Spider Merch [spidermerch.com.br]
Estúdio Besoura [facebook.com/besoura + estudiobesoura.com]

Flamboyant Zander

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Zander Flamboyant

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comentários

8 thoughts on “Ouvimos antes: Flamboyant, do Zander

  1. Vou ouvir o disco inteiro quando rolar por ai na rede mundial, mas aposto que o teu texto é muito melhor que o disco.
    Falo isso porque várias vezes teu texto sobre uma banda e ou disco me animou, ouvi e o disco e ou banda era uma bosta (minha opinião).
    Mas enfim, curti a capa.

    • Particularmente acredito ser difícil não curtir o Zander. Tirando o Discoteque (que o álbum era ruim mas o show tão bom que você acabava gostando), os projetos desses cariocas são quase sempre bons. Vale a pena ouvir.

    • amigor, suas opiniões sempre marcantes e sinceras! eu deveria te oferecer uma coluna aqui no blog, talvez as bandas odiariam! ahahah

      algumas pessoas já me falaram isso de que meu texto é melhor do que os discos que escrevo, e levo isso como um puta elogio, claro! 🙂

      valeu, querido! <3

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